sábado, julho 30, 2005

Minimalista, a estética do mundo envolve-me num não-abraço. Aperta-me com o seu cinto de castidade mínimo. Revolve-me, num rodopio feito de tonturas. Oferece-me o vazio, em troca de desejos esvaídos no rio do pó da alma. Alguém sopra para o pó, e o vazio adensa-se, imaterial. Vento a passar no vazio, deslocações vazias no espaço da frustração invisível. Frustrações que passam como o vento, sem cortejo. Pequenas picadas de abelha, espigões inocentes mas afiados. Um irrequieto por sob uma língua saudosa, engolido em seco. Mudez. O único sabor, a repetição, a mesma. A novidade refugia-se atrás dos espinhos viris de um roseiral murcho.
Os espasmos de poesia, falsas mensagens na garrafa. Deprimente, o constatar do deprimente. A perturbadora estética de um suicídio abstracto, incompreensível. Perturbantes razões desnecessárias. A vontade de ninguém, a relva sem espinhos, de um verde enjoado. Longe na frase sem recursos estilísticos, de sonoridade afónica. A procura da deriva num mar estático de sonhos a seco. A inconclusividade do céu de nuvens indiferentes. Um parque sem infantilidade, de diversões com frio. Uma chama de calor extinto. A morte.


A morte,
a morte,
a morte,
a morte.

Cada vez mais,
a morte.
Caíndo a pique,
a morte.